quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Umas Histórias de Trancoso


“Umas Histórias de Trancoso”Durante tempos, a ligação de conceitos e regras sociais às histórias fantásticas serviam como uma rede de informações que garantiam o repasse do conhecimento entre as gerações. Assim, até hoje temos histórias que são contadas há séculos e que desembarcaram em nossas terras na bagagem dos colonizadores.
Mesmo não havendo histórias com aquele padrão do colonizador europeu, nossa população indígena possuía suas lendas e ensinamentos que eram repassados com o objetivo de ensinar e manter suas tradições.
Tendo sua identificação herdada do contador de histórias Gonçalo Fernandes Trancoso, as histórias conhecidas como “histórias de trancoso” fazem parte do universo da oralidade popular. Passadas, de geração em geração, seus ensinamentos e feitos morais foram ganhando identidade própria, comuns as realidades locais.
As narrativas contidas em “Umas Histórias de Trancoso”, fazem parte das vivências e buscas de um encontro entre Mestre e pesquisadora, num brincar constante com palavras, sons, ritmo, corpo, paladar. Permitir-se a troca e encantamento das experiências e novas descobertas foi o que fizeram Nelson Rosa e Adriana Milet, abrindo as portas do sítio Fernandes para o imaginário de todos.
O primeiro encontro entre Nelson Rosa e Adriana Milet se deu durante a realização do Mapeamento da Literatura Oral de Alagoas – etapa I, coordenada pela área de literatura do SESC Alagoas, no mês de abril desse ano.
De lá para cá, a necessidade de muitos outros encontros surgiram, dando vazão aos desejos da dupla, e os objetivos de uma Instituição comprometida com o desenvolvimento cultural e reconhecimento das identidades das pessoas que em “Umas Histórias de Trancoso”, estarão presentes, seja enquanto platéia, seja por meio das histórias, cantos e brincadeiras.


Serviço – Entrada franca
Atividade: Apresentação da sessão de histórias “Umas Histórias de Trancoso”
Dia/horário: 20 de novembro – 16h
26 de novembro – 19h30
Local: Unidade SESC Arapiraca
Profissionais: Mestre Nelson Rosa e Adriana Milet

Atividade: Apresentação da sessão de histórias “Umas Histórias de Trancoso”
Dia/horário: 27 de novembro – 16h
Local: Auditório da Unidade SESC Poço
Profissionais: Mestre Nelson Rosa e Adriana Milet

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Oficina: "Histórias para Contar"
Embora existente desde os primórdios das civilizações e enraizada em nossa cultura, a oralidade tem passado por um rude processo de ocultação, basta olhar para as tentativas midiáticas de massificação do pensamento e querer humano.
Pertinente ao estado humano de ser, o ato de contar histórias nos acompanha desde o nascimento, partindo da necessidade de se comunicar até estabelecer elos afetivos com aqueles que fazem parte da nossa vida.
Seja de forma natural ou por meio de estudos e buscas, as histórias nos chegam com uma força tão intensa que não conseguimos contê-las. Elas explodem dentro de nós, e de boca em boca, de ouvido em ouvido, de olhar em olhar, de gesto em gesto, se espalham, tal qual estrelas no céu. Hora aqui, hora ali, elas rompem fronteiras, quebram barreiras, aproximam desejos, e fazem de nós simples buscadores e compartilhadores de palavras.
A oficina “Histórias para Contar” propõe uma busca, um despertar para o desejo de investigar, em nosso dia a dia, o lugar onde essas histórias estão sendo contadas ou ficando adormecidas.




Serviço
Local: Unidade SESC Arapiraca
Atividade: Oficina “Histórias para Contar”
Dia: 20 de novembro
Horário: das 09h às 13h
Profissionais: Mestre Nelson Rosa e Adriana Milet

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Sobre Mestre Nelson Rosa


Nelson Vicente Rosa, mais conhecido como Mestre Nelson Rosa é Mestre de Coco de Roda, talentoso poeta popular e inspirado embolador, nascido em 18 de dezembro de 1933, no Povoado Fernandes, no município de Arapiraca.

Na infância iniciou seus passos no âmbito da cultura popular, em contato com as manifestações que sempre estiveram presentes nas raízes das pessoas ao seu redor

Mestre Nelson Rosa compõe o Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas, conforme Resolução nº 01/2005, Livro de Tombo nº 05, à folha 07 verso, a partir de 13 de maio de 2005. Coordena também, desde 1990, o grupo das Destaladeiras de Fumo de Arapiraca, que reúne 10 senhoras cantadeiras.

Começou timidamente a cantar emboladas no terreiro de casa acompanhado pelo coro de seus familiares. Dessa forma, renascia um coco de roça, com toda a força de um fato folclórico autêntico. Nesses primeiros passos as apresentações aconteciam apenas entre familiares, onde dançavam seus filhos, sobrinhos, primos, cunhados e amigos.

Mais adiante, seus filhos foram casando e afastando-se do coco, sendo substituídos pelos vizinhos e a dança foi continuando, agora, com apresentações em Festivais de Folclore, Semanas Culturais, Festas Juninas e outros, além das fronteiras do município de Arapiraca e das cercas dos currais de fumo do Sítio Fernandes.


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Sobre Adriana Milet

Adriana Milet é educadora, pesquisadora, compositora, cantora e atriz.

Em Recife, trabalha com direção musical para espetáculos de teatro e dança. Em 2009, gravou o CD em comemoração aos 40 anos de coco do Mestre Ferrugem, onde também fez a preparação vocal.

Desde 1992, compõe grupos de pesquisa e atua em espetáculos com base na Literatura de autores como: Ascenso Ferreira, Joaquim Cardozo, Tatiana Belinky e Regina Machado.

Em 1999, inicia licenciatura em Música em que passa a pesquisar a Cultura de Tradição Oral. Um ano depois se torna sócia da Associação Respeita Januário de pesquisa e valorização dos cantos e musica tradicional do Nordeste.

Ganhou prêmios de Melhor Direção Musical (2005); Melhor atriz coadjuvante (2006) e Melhor trilha sonora para espetáculo infantil (2008).

Ao lado de Luciano Pontes, forma o “Grupoadrupa” de Contadores de Histórias.

Em 2010 participa do Simpósio Internacional de Contadores de Histórias no Rio de Janeiro com o espetáculo “De Conto a Canto” e ministrando a oficina “Tecendo Sons, Criando Histórias - vivencias sonoras para a narração”.

Em Alagoas, realizou a preparação vocal e direção musical da Trupe Gogó da Ema de Contadores de Histórias do SESC AL, da sessão de histórias “Histórias do Velho Graça”. Hoje, Adriana realiza assessoria técnica permanente no Núcleo SESC de Formação e Pesquisa na Arte de Contar Histórias (NUFOPES).

Em maio de 2010 publica em parceria com a Trupe Gogó da Ema de Contadores de Histórias o áudio livro “O Amor de Graça e Liano e Outras Histórias”, onde assina a criação e direção musical, ao lado do músico Hugo Lins.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Prosa e a Poesia brasileiras contemporâneas e a Crítica Literária




O Itaú Cultural, em parceria com o SESC de Alagoas, abre inscrições para dois mini-cursos de literatura brasileira contemporânea. O objetivo dos cursos é discutir o panorama da atual produção literária na prosa e na poesia e suas relações com a crítica literária. Atividade gratuita, com Cerificado. Entrada franca.
Os mini-cursos são:
1) Crítica de poesia: tiques, toques e truques, com o professor e poeta Wilberth Salgueiro.
2) Crítica & ficção no Brasil: uma leitura do presente, com o professor e escritor Flávio Carneiro.
Essas atividades fazem parte do Rumos Literatura 2010-20211, programa de apoio a projetos na área de ensaio ou crítica literária, que tem suas inscrições abertas até o próximo dia 31 de julho (www.itaucultural.org.br/rumos).
Mini-cursos Rumos Literatura
Datas: 20 e 21/03 (sábado e domingo) – Sesc Poço.
sendo: 20/03, sábado, com Wilberth Salgueiro – poesia e 21/03, domingo, com Flávio Carneiro – prosa
Horário: 9h30 às 12h30 e 14h às 18h (nos dois dias)
Local: Sesc Poço - auditório Maron Emile Abi Abib - Rua Pedro Paulino, 40, Poço – CEP 57025-340 - Maceió, AL - Fone: (82) 2123-2440 e 0800 284 2440
Inscrições: apenas pessoalmente em outro Sesc: Coordenação Artístico-Cultural (CARC) - Unidade SESC Centro (Rua Barão de Alagoas, 229, Centro - CEP 57020-210. Informações pelo tel.: (82) 3326-3133 / (82) 3326-3700 e sescliteratura@gmail.com
Quantidade de vagas: 50 – inscrições gratuitas
Período de inscrições até 19/03/10
Certificados para quem cumprir ao menos 75% da carga horária
Conteúdo dos MINI-CURSOS
20.03
9h30 às 12h30 e 14h às 18h
Crítica de poesia: tiques, toques e truques
Este curso se propõe a apresentar um instrumental crítico e teórico para que o leitor de poesia possa firmar critérios e valores próprios e, daí, apreciar a força e a forma de uma obra poética. A exposição do instrumental se dará em paralelo a análises de poemas brasileiros contemporâneos, sobretudo a partir da década de 1980.
Ministrante Wilberth Salgueiro (Rio de Janeiro/RJ). Mestre e doutor em Letras, pela UFRJ. Atualmente é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras na UFES e pesquisador-bolsista do CNPq. Autor de, entre outros, Lira à brasileira: erótica, poética, política, Forças & formas: aspectos da poesia brasileira contemporânea (dos anos 70 aos 90) e Personecontos.
21.03
9h30 às 12h30 e 14h às 18h
Crítica & ficção no Brasil: uma leitura do presente
O propósito do curso é discutir algumas questões sobre o exercício de uma crítica literária que se arrisca a falar não apenas de obras e autores canônicos mas do que está sendo produzido hoje no Brasil na área de ficção. Os princípios norteadores dessa crítica, seus critérios, seus recortes são alguns dos pontos tratados, juntamente com a apresentação de um mapeamento da ficção brasileira atual.
Ministrante Flávio Carneiro (Goiânia, GO). Escritor, roteirista, crítico literário, professor de literatura da UERJ e autor de doze livros, entre contos, romances, crônicas, ensaios e novelas para crianças e jovens. Escreveu também dois roteiros para cinema. Seus livros mais recentes são o romance A Confissão e o livro de crônicas Passe de Letra: futebol & literatura, ambos publicados pela Rocco.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Inscrições Prorrogadas NUFOPES

O Núcleo SESC de Formação e Pesquisa na Arte de Contar Histórias (NUFOPES) prorrogou suas inscrições até o dia 24 de março.
Para participar da seleção basta ler as informações gerais, preencher a ficha de inscrição e anexar a documentação solicitada.

Para ter acesso as informações, clique nos links* abaixo.
Informações gerais:
Ficha de inscrição:
*O link abrirá um programa chamado Rapidshare, lá clicando em download, vocês terão acesso às informações do NUFOPES.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

NUFOPES / Seleção 2010


O Núcleo SESC de Formação e Pesquisa na Arte de Contar Histórias (NUFOPES) está com inscrições abertar até o dia 08 de março. Para participar da seleção basta ler as informações gerais, preencher a ficha de inscrição e anexar a documentação solicitada.
Para ter acesso as informações, clique nos links* abaixo.
*O link abrirá um programa chamado Rapidshare, lá clicando em download, vocês terão acesso às informações do NUFOPES.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Estágios NUFOPES



Enfim é chegado o momento do primeiro encontro com o público. Um verdadeiro misto de sentimentos tomou conta dos participantes do NUFOPES. Medo, tensão, insegurança, que foram superados com a interação do público presente. As apresentações fizeram parte dos últimos encontros sistemáticos do grupo, servindo como estágio.


Essa fase aconteceu em casas de idosos e instituições para crianças. Foi um momento de troca de conhecimentos e de colocar em prática tudo o que foi aprendido durante o curso. Os integrantes se dividiram em dois grupos: Tatipirun e Mussaendra, e assim realizaram as respectivas apresentações nos dias 28 e 29 de novembro.

O primeiro dia foi com o grupo Tatipirun. Em meio a olhares e ouvidos atentos, as crianças do Centro Espírita O Consolador, receberam os integrantes do grupo, para a sessão de contação de histórias. Foi uma manhã mágica. As cores do arco-íris, os milhares dos sapatos da princesa, o conto do ferreiro que tentou enganar a morte, e as tantas outras histórias encantaram e fizeram as crianças interagir, dando asas à imaginação.

“As crianças vieram me perguntar se a história do ferreiro era de verdade, se realmente a Érica tinha visto o que aconteceu. Então chamei logo a dona da história e a deixei conversando com os meninos. Foi muito legal essa interação”, disse Fábio. Já na parte da tarde o clima ficou mais difícil. Ao adentrar e conhecer o espaço onde iriam contar suas histórias, a Casa do Pobre, eles perceberam que era preciso adaptar algumas situações.

Será que vai dar certo? Será que vamos ser bem recebidos? Como será a recepção do público na história da morte? Esses foram apenas alguns dos questionamentos feitos, antes do início da sessão. "Contar histórias para um público tão diverso, num ambiente como este é bem delicado. Estou com receio porque vou contar a história do ferreiro que desafiou a morte e este é um tema complicado de se abordar aqui”, disse Érica.

No dia seguinte, foi à vez do grupo Mussaendra. A primeira sessão aconteceu no Lar para Idosas Luiza de Marilac. Novamente a insegurança e o medo tentaram afligir os corações dos contadores de histórias, mas a superação e o enfrentamento falaram mais alto e se deu início a ação. No desenrolar das histórias, pouco a pouco, as pessoas foram interagindo, cada uma a sua maneira. Seja rindo, se benzendo, participando e mergulhando nas histórias contadas.

Na parte da tarde o local das contações foi o Lar para Meninas Deus Proverá. Eram dez meninas com idades variadas entre 12 e 16 anos. A princípio tudo parecia mais difícil, tanto pela faixa etária, como também pelo medo da rejeição por parte das adolescentes.

Entre um conto e outro, risos, sustos, surpresas, medos e tantos outros sentimentos foram se mostrando nas faces das garotas, que pouco a pouco se entregaram às histórias. Depois da sessão um momento mágico, onde brincadeiras e cantigas de rodas finalizaram a tarde com chave de ouro. As meninas participaram, cantaram e perguntaram sobre as histórias contadas.

“Foi uma experiência única. Elas são muito carentes de atenção e carinho. Vamos voltar aqui com certeza!”, disse Josilene . Apesar do medo, os grupos se apresentaram, e conseguiram atenção dos públicos, aperfeiçoando as sessões de histórias, modificando e adequando os últimos ajustes para o grande dia: a apresentação final, que acontece no próximo sábado, 12/12, às 18h30, no SESC Centro.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um conto atrás do outro

A jornada foi longa e exigiu bastante de todos os participantes do curso “Um Conto Atrás do Outro – Mód. I”. Após 06 (seis) meses de construção coletiva do saber, técnicas e exercícios diversos foram aplicados para aprofundar a arte de contar histórias.


Agora, tudo passa a fazer sentido. O que foi apresentado ao longo do curso começa a se conectar nessa etapa final. Muitas foram as interrogações que surgiram na cabeça de cada participante, acerca da didática aplicada.

Para que serve tanto alongamento?

Por que brincar tanto nas aulas?

Por que fazer tanta leitura e pesquisa?

Muitas respostas surgiram nesse final de semana em mais um dos encontros.

Com olhares apreensivos e com muita alegria em estar finalizando mais uma etapa do curso, alunos e orientadores definiram os roteiros para a apresentação pública do grupo, composto por pessoas que exercem funções diversas, mas que se unem pelo amor e vontade de difundir a tradicional arte de contar histórias.

No primeiro dia de encontro, na sexta, dia 13/11, as sessões de histórias começaram a ganhar corpo. As músicas, instrumentos e a entrada dos componentes de cada um dos grupos foi trabalhada durante todo o dia.

Dando seqüência, no dia seguinte, o grupo se reuniu para fechar cada detalhe da apresentação. Além das histórias o dia foi marcado por provas de figurino e fotos, que foram registradas para o material gráfico da apresentação. Tudo parecia um grande flash back.

Os exercícios constantes de leituras e releituras de histórias que foram trabalhados ao longo do curso, dessa vez foram freqüentes objetivando tornar a primeira apresentação pública, programada para o dia 12 de dezembro, um momento prazeroso e de orgulho para todos. Além das histórias, a sonoridade estava e estará presente com instrumentos percussivos, interagindo a todo o momento.

Agora é só aguardar!!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um Primeiro Exercício de Fracasso


O menino bate a pedra.


O que fazes, ó menino?


Bato a pedra, bato a pedra.


Pra que bates, ó menino?


Farei nela linda flor.


E por que tu tão transido?


Por que choras, meu menino?


Sei que tudo é perdido:


ela não terá odor.

Nilton Resende *

*É ator, poeta e pesquisador na área de literatura