sexta-feira, 24 de julho de 2009

Convergências

video



Tchello d´Barros *
*É artista visual e poeta.

http://www.tchello.art.br


Tomar banho de chuva.
Refrescar.
Nadar na lama.
Resfriar.
Pular nas poças.
Se lavar.
Tem vezes que faz tempestade aqui dentro.
Tem vezes que é garoa.
Tem dias de sol.
Tenho dias bem sozinho.


Thiago Sampaio*
*É ator, escritor e blogueiro.
Atualmente trabalha no SESC Centro,
onde é técnico de Teatro.

http://ciadochapeu.blogspot.com/

quinta-feira, 23 de julho de 2009

“Sem nome”

Palavras perdidas... não ditas
Frases sem fim com começo sem sentido
Vida vazia, noite sombria
O som que tão longe aparece
As notas no ar se fazem perdidas (iguais as palavras)
A vida um mistério sem fimOu um fim com ponto final... morte?
Morte o que seria?
Passagem, alegria
Nada pode explicar
Desejo beijos, sentimento profundo como um buraco negro
Que tudo entra e faz machucar
Alegrias se misturam com melancolias
Tristezas se confundem com ousadias
Ousadias com liberdades...
Liberdades de expressão, e até mesmo de amar
Amar todos seria demais
Mas pra mim seria felicidade...
Queria um pouquinho de paz, apenas
Pelo menos para viver o que chamam de amor.

Natalhinha Marinho*
*É atriz, poeta, musicista e estudante de jornalismo.

BONECA DE BARRO

Boneca de barro, o mesmo barro que também é chamado de traço,

O risco no chão feito pelo traço, parece giz, mas é o corpo da boneca que está a sangrar.

Essa boneca não foi feita da costela, recebeu o mesmo barro que fez o Adão vestido de capote do sururu,,cheiro de lama,esculpida pela maré alta da lagoa mundaú.

De dia ela sonha em catar sururu, de noite, pensa em estudar

olha com ternura a menina que ela resolveu se dar,ouve -se do barraco, o canto do pescar,que as vezes é interrompido por um chorar,pescadores parecem botos, mas as vezes, são seduzidos por sereias da lagoa, e desaparecem

Boneca de barro chora, só não desmaia , porque se quebra,João-de-Barro, não volta, não tem pescado, a barriga da boneca grita.pobres bonecas-meninas infelizes,que chafurdam na lama, para não rachara fome, dá lugar ao canto.

E a boneca do barro, resolve se emprestarganha algum tostões para ser tocada por meninos de chumbo,seu corpo parece estar rachado, ressecado, mas toda dia a mesma, rotina, a mesma esquina, o mesmo sinal,para receber migalhas dos meninos de chumbo, que agora vem acompanhados das bonecas de louça,coitada boneca de barro! se sente suja por ser tocada,seu cheiro não é mais de lama, seu odor é de semên como essas meninas-Bonecas sujinhas, podem se limpar? se água não podem levar?

seus olhos de ximbra, já não brilham mais .o tempo de fome, fez seu corpo rachar ,e os tostões ganhos já não dá pra se alimentarvive comprando cola para tentar se remendar, mas a boneca de barro está só o caco, num desse cochilos de esquina, veio uma chuva forte, e fez a boneca desmanchar,lá se foi mais uma vida sofrida, no fundo do bueiro descansar.


Julien Costa*
*Ator escritor e dramaturgo.
A poesia foi inspirada em Boneca de Pano
do Poeta alagoano Jorge de Lima
http://www.diariodebordel.blogspot.com/

Poema:"Sem Nome"‏

Não confundas meus gritos,
Com teus gritos.
Não confundas minha raiva,
Com a tua raiva.
Não confundas minha mágoas,
Se vivo,é porque persisto,
E isso não é amor ;
É vício.
Mas porque não desisto disso...
Complexo.
Amor,amizade,ódio,vício.
Sempre insisto nisso...
Por isso que vivo.
E isso também é vício.
Miguel Ferreira*
*É formando do curso de Letras
pela Universidade Federal de Alagoas.
http://www.osoliterario.blogspot.com/

Quão azul a tela é forte?



Foto,
Fato,
Feito
Órfão...
Nato.
Parco
Marco;
Alto
Salto.
Ares,
Mares
Azuis...
Fazes
Fases
Fáceis
D'um blues.
No (em) blues...
No (sem) blues...
Quão azul a tela é forte?



Hermes Di'Ângelo *

13/07/2009, 16h16

*Escritor e sonhador compulsivo. Não consegue se imaginar fazendo outra coisa, senão escrever, escrever e escrever. Prefere acreditar na intuição. Sua 'inspiração' está mais para 'sublimação' do real para o imaginário...

Os sons da noite

Faz quarenta minutos
Que sigo com o olhar
Os ponteiros do relógio
- Seu infernal tic tac, já não me tranqüiliza –

Um galo sacana insiste em cantar
Todo seu repertório seresteiro

Carros passam em alta velocidade
O ronco do motor, assim como suas
Freadas bruscas e buzinas, irritam

Cães latem, talvez para afugentar
Algum meliante...
Seus alto-falantes caninos
Deixam-me mais atento

O apito do vigia e o som de sua moto
Barulhenta, cortam a noite...
Ao longe ainda se escuta o silvo longo

- Pai!
Escuto um chamado no quarto...
- Quero fazer xixi!
O filhote de quatro anos vem trôpego
- aparente notívago –
Cumpro a missão e o coloco ao
Lado da mãe, que repousa o sono dos justos...

No quarto adentra uma brisa suave
De verão...
- A ternura da cria tranqüilizou-me novamente -
Mesmo com os sonoros
Passos do marcador do tempo...

Acho bom retirar-lhe as pilhas...


Eduardo Proffa*
*É professor de educação física e poeta.

Manhã de sol
O vendedor de macaxeira
Expõe suas raízes

.............................................


À tarde, no sertão
Um Anum desvia seu canto
Dos espinhos da palma


.............................................
Entre algas e espumas
Uma Maria Farinha
Contempla a partida do sol

.............................................


A lagartixa adormece
Nas palavras ébrias
Do contador de histórias


.............................................


Sob o olhar do gato
Uma borboleta conta seus ovos
Na folha do limoeiro

.............................................

Na brisa da manhã
As flores tingem de vermelho
O musgo da calçada



Marcus Vinícius*

*É poeta e professor de Letras da Universidade Federal de Alagoas

Latejo (ou O medo da poesia inacabada)

Partiu pra cima de mim toda maiúscula
Chegou cheia de ponto e vírgula
Exibindo as reticências
Volumosa e acentuada
Mais parecia uma proparoxítona
Me pegou pelo paradoxo
Me fez de trema e circunflexo
Me sujeitou ao predicado
Usou e abusou do meu léxico
Depois de tanta soletragem
Já não havia mais metáfora
Nem tão pouco poesia
Não me sobrou quase gramática
Nem semântica, nem grafia, nem teoria
Artur Finizola *
* Arthur Finizola é músico e poeta .

Incrementando a vida.

“Quem conta um conto, aumenta um ponto”... não, não concordo com o ditado popular. Na realidade não é bem assim! Melhor dizer: quem conta um conto “incrementa” vários pontos. E que bom que é desse jeito, já imaginou o quão sem graça seria a vida sem alguém disposto a desempenhar esse papel? Reconhecer é preciso, incremento é algo substancial pra vida da gente, ou não? O que seria o registro de uma vida sem um bom incremento, gente?
Escrever é mais ou menos como pintar um quadro, só que com um diferencial: sem tintas! Trata-se de um exercício desafiador. Olhar para o papel em branco – ou para uma tela de computador da mesma cor, que seja – e assumir o compromisso íntimo de tentar torná-la mais interessante, diminuindo sua palidez, dando vida e dinamismo ao que antes apenas existia. Indiferente e sem perspectiva.
É um ato de coragem! Convenhamos, é preciso ser corajoso para expor o que se sente, o que se pensa, o que se quer, pois uma vez externalizadas tais particularidades, mesmo que estejam misturadas a mil e um versos, ainda assim sempre haverá alguém capaz de identificá-las e decifrá-las. Então, escrever também é não ter direito a muitos segredos! Quem um dia se propôs a desenvolver um diálogo aberto e sincero com o mundo sabe bem disso.
Do pergaminho ao pixel, desde sempre, a palavra exerce o honroso papel de ser um agente transformador... de dar sentido a tudo, querer – e conseguir - modificar a todos. Quando a palavra se une a música, vira canção. Ao produzir versos, logo se transforma em poesia. As nascidas das reflexões religiosas produzem a fé. Nas mãos dos médicos preservam vidas e na das autoridades viram leis, que por sua vez regem o mundo, que se desdobra na tentativa de se sobrepor ao caos. No cotidiano de qualquer pessoa ela se faz presente – inclusive no seu que me lê agora -. Aliás, essa é uma boa pergunta: no seu universo particular, que efeito produzem?
Se ler é viajar, escrever é conduzir! E quem conduz algo ou alguma coisa precisa de responsabilidade ao manifestar suas percepções do mundo e de todo o resto. Certamente elas conseguirão convencer alguém que tomará pra si aquilo que até então a outro alguém pertencia. Formar opiniões, despertar sentimentos, desagradar, apaixonar... talvez por isso seja tão necessário continuar experimentando! Sem a palavra estaríamos todos cegos!
Escrever também é brincar, mas atenção: brincar com coisa séria! Interagir com uma força que brota em “terra de ninguém” que ao mesmo tempo pertence a todos nós... e isso pode ser bem
perigoso... ou maravilhoso! Maravilha essa que habita na mente de quem escreve e nos olhos de quem lê!

Apolinário Júnior*
Maceió, 19/07/09.
*É turismólogo, blogueiro e atua na Coordenação de Turismo CTUR do SESC Alagoas. http://dapoesiaaocaos.blogspot.com/